De onde tu és?

Estes dias em conversa com uma pessoa que tinha acabado de conhecer que me perguntou quantos filhos tinha, respondi:

“Tenho 3 garotos”

Ao que, a pessoa ficou muito espantada e me perguntou de onde eu era, e respondi nascido e criado em Lisboa.

E confesso que fiquei a pensar nisso. Porque a utilização do termo garoto (que não fosse para se referir ao café) seria tão estranha. Diria que a lisboetização da língua portuguesa é algo mais presente do que noto. Mas é verdade que já ouvi pessoas a dizer que não gostam de ouvir o sotaque nortenho ou algarvio, e inclusive conheço quem se tenha esforçado para disfarçar a sua origem sonora.

Sei que não é um fenômeno português. No Brasil acontece o mesmo, sendo que existe uma luta aberta entre o sotaque carioca e o paulista. Em Espanha, a luta é ainda maior entre o castelhano e o catalão (com o galego à espreita) mas também são línguas diferentes (e não sotaques).

Lembrei-me aqui há tempos alguém que referia que na televisão, os jornalistas tem todos o sotaque de Lisboa (sendo que muitos não são de Lisboa), mas que seria condição “sine qua non” para poder chegar ao pequeno ecrân.

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