Em 2019, o realizador Kleber Mendonça Filho levou o seu mais recente filme (Bacurau) ao Festival de Cannes e saiu de lá com o prémio do Júri.
Finalmente em março de 2020, consegui ir a uma sala de cinema em Lisboa. Sim, o filme estreou em apenas uma sala de cinema (Nimas) com uma sessão diária. No Porto esteve apenas um breve período.
E apesar de, quando estava à espera do ínicio da sessão, ter ficado contente com o número de pessoas que lá estavam (e existia claramente um “código não verbal” pois todos os homens presentes tinham barba, eu inclusive), ao mesmo tempo fico com a sensação que os portugueses não estão atentos.
As novelas entraram pelas casas portuguesas desde que existe televisão e nunca mais sairam. Nesta altura, salvo erro, existem 2 novelas brasileiras em exibição nos canais generalistas. Mas, os filmes parecem não furar a barreira do Atlântico.
Este filme é muito inspirado nos westerns, ao género do Sérgio Leone, onde encontramos um pequeno lugar no interior do Brasil, perdido no tempo e no espaço. Onde os ricos e poderosos tentam controlar o povo. Talvez isto também possa parecer com a história de Asterix e Obélix. E é verdade. Até existe uma “poção mágica”.
Um universo onde se mistura humor negro, com momentos “gore” e outros naive. Tudo misturado com uma banda sonora bem intensa, onde até encontramos um tema inédito de John Carpenter.
É caso para dizer de Bacurau… Se for, vá na paz.
