Vida de Casal

Se és solteiro, provavelmente nunca ninguém te disse mas a vida em casal é difícil.

Começo por dizer que sinto que fui um privilegiado porque vivi uma vida familiar (quando era apenas filho e irmão) muito tranquila, a viver com pai e mãe (ambos empregados e de classe média) juntamente com irmãs. Cresci nos arredores de Lisboa, desde muito jovem tive computador, todos fizemos ensino superior em casa e tive acesso a cultura (livros, discos, cinema, etc).

Nos últimos tempos tenho pensado em como aquilo que tivemos, influencia aquilo que procuramos no futuro. Mas por vezes escondem-se coisas que não vemos como uma dificuldade.

E quando se começa a construir uma vida a dois, temos de lidar também com aquilo que foram as influências da outra pessoa. E nem sempre são as mesmas. Podem ser as coisas mais banais ou mais profundas, e podem causar alguns transtornos se não percebemos.

Vou dar um exemplo mais simples. Eu cresci a fazer praia. Sempre que podíamos íamos para a praia, era o destino de eleição. Não me lembro de fazer férias de cidade. Mas a outra parte do casal nunca o fazia enquanto crescia. Não gostava. Enquanto tivemos juntos, foi sempre algo que servia para equilibrar/desiquilibrar a narrativa. Era necessário uma gestão, uma conversa e um entendimento.

Mas este tipo de questões passam por outros tantos factores. Como a vida profissional, vida familiar (ter ou não ter filhos), dinheiro, tempos livres, etc, etc, etc…

E existe para mim uma questão que não creio que seja abordada frequentemente que é o crescimento pessoal. Quando conhecemos alguém aos 20 anos, temos um nível de maturidade (ou imaturidade) que se tudo correr bem, vai sendo alterado e quando chegamos aos 30 será diferente, assim como aos 40 e por aí fora. E nesse caminho, aquilo que podiam ser coisas que vos afastavam podem aproximar, e o contrário também é possível.

Um dos aspectos mais banais que cresci com a vida em casal foi a nível gastronómico. Aprendi a comer de tudo, inclusivamente ervilhas, favas ou espargos (que não gostava nada). Hoje sou uma pessoa mais rica por isso.

Mas, por exemplo, o equilibrio entre a vida profissional e pessoal foi algo que me custou a adaptar. A encontrar realmente o equilibrio. Durante muitos anos fui completamente “workaholic”, passava muitas horas a trabalhar (muitas vezes mais de 10h por dia) e os meus pensamentos eram quase exclusivamente dedicados a questões laborais. Obviamente que não foi positivo para uma relação a dois. Apesar de sempre sentir apoio.

No final de contas, se tiver de dizer algo que é fundamental para uma vida a dois diria que é honestidade e diálogo. Mas não tenho o segredo para uma vida eterna a dois.

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