A par com o Jamie Oliver, Anthony Bourdain foi a figura televisiva que mais influenciou o meu gosto culinário. Ou melhor, me deu a certeza que viajar pelo Mundo, enquanto experimentamos novas comidas e culturas é das melhores coisas que se pode fazer. O Jamie Oliver ensinou-me a cozinhar (sim, tinha acabado de sair de casa dos meus pais e via o programa dele e fazia as receitas que achava mais fáceis), enquanto que Bourdain levou-me mais longe.
A gastronomia faz parte da cultura de um povo, ligado a momentos de partilha, de comunhão. À volta do tacho, conversamos, contamos histórias, cantamos. Com um copo na mão, brindamos.
Estes dias vi o documentário que relata a história do Anthony Bourdain, intitulado “Roadrunner”. E para quem o acompanhava, é um objeto difícil. Afinal, ele suicidou-se enquanto gravava mais uma temporada do seu programa de televisão…
Obviamente que essa questão está presente em todo o documentário, com colegas, amigos, ex-mulher e gente que esteve com ele a falar sobre a vida deste cozinheiro, escritor e personalidade televisiva.
O filme conta a história deste rapaz norte-americano que desde novo se sentiu deslocado, um “outcast”, que não tinha lugar na família e se entregou ao vício das drogas muito cedo. Mas vai apresentando um caminho onde com mais de 40 anos, escreveu um livro que o faria chegar aos tops com entrevistas a todos os meios, inclusive passagem pela Oprah e outros que tal. De um momento para outro, o cozinheiro de um simples restaurante nova iorquino virou uma celebridade. Toda a gente o reconhecia nas ruas da “big apple”. Um sucesso que o levou a gravar intermináveis programas de televisão, percorrer o Mundo, conhecer as suas influências, etc…
Uma das questões que se levanta, e que faz muita gente questionar quem o rodeava, é que aparecem indícios que algo estava mal, e que ele precisava de ajuda. E que nada fizeram.
Eu tenho uma visão muito pessoal sobre o assunto e parece-me que é “fácil” com a devida distância e olhando para o que aconteceu decifrar os sinais. Mas quem passou por isso, na altura própria, em cima do acontecimento terá apenas percebido que ele estaria à procura de uma mudança.
No final, para mim, a ideia que fica é que ele sempre se sentiu sozinho. E quando voltou a sentir essa solidão, decidiu que não aguentava mais.
Terminei o documentário a pensar se o tivesse conhecido quando ele esteve em Lisboa pela última vez…
