Baiuca

Um dos artistas que mais ouvi este ano é do galego Alejandro Guilán, mais conhecido por Baiuca. Foi um dos artistas em destaque no site Europavox (do qual eu contribuo) e que escrevi o perfil. Deixo aqui uma tradução livre do texto originalmente editado em inglês.

Imagina que é uma noite de lua cheia, e entras num bosque antigo, com pinheiros, nogueiras e outras árvores centenárias. De repente, ouves cantos e música. Uma fogueira enorme aparece à tua frente enquanto caminhas, e um grupo grande de pessoas encontra-se a dançar e a cantar. De certeza que é um qualquer ritual pagão pensas. Olhas para as pessoas e todas estão divertidas, com um enorme sorriso na cara.

A música de Baiuca assemelha-se a este momento. Talvez teremos de acrescentar um sistema de som poderoso, luzes strobes, baixos a fazer tremer o chão e alcool. Não pode faltar o alcool.

O projeto de Alejandro mistura a música tradicional da sua Galiza com um fundo electrónico. Ele começou este caminho em 2018 quando deixou a sua terra-natal e mudou-se para Madrid. Queria fundir o folclore galego com modernidade, e para isso decidiu ouvir os discos que trouxe de casa dos pais. E samplar esses discos. Mas isso não era suficiente. Então convidou um grupo de senhoras que cantavam as velhas canções. Mas também foi buscar os instrumentos antigos como a pandeireta, as flautas, ou o tambor. Mas também gravou colheres, enxadas e frigideiras.

A música de Baiuca é negra e sombria, e segundo o próprio é inspirado nas paisagens da Galiza, mas também do mau tempo. Ele recorda-se de um dia que começou a chover em Novembro e só parou em Maio.

O discos de estreia “Solpor” é uma referência ao pôr do sol, ao lusco fusco da Galiza. E as suas letras também vão buscar essas referências mais escuras. Com um lado diria mitológico, das bruxas em particular, sejam boas ou más, como uma referência constante na música de Baiuca.

No segundo disco, ele contou com a colaboração do Rodrigo Cuevas (que já escrevi sobre ele aqui), outro música espanhol que explora o caminho entre o tradicional e a eletrónica, e conseguiram condensar todo este universo em apenas um canção e num vídeo (Velleno). Aqui fica.

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