Robbie por Dengue

Estes dias tem sido dificieis para os amantes de música. A nível nacional perdemos o Pedro Gonçalves (Dead Combo) e o Luis Costa (Magazino), e chegou da Jamaica a notícia da morte de Robbie Shakespeare, conhecido com uma das metades do duo Sly & Robbie, entre outros projetos.

Aproveitei e sabendo da enorme admiração do meu amigo Dengue aka Soturno, baixista da Nação Zumbi, convidei-o a escrever um texto sobre aquele que é considerado um dos maiores músicos jamaicanos de sempre.

Robbie Shakespeare married funk and reggae to create a catalogue of classics

David Katz

Ao querido Robert “Basspeare”:

Este que vos escreve guarda a sete chaves um imenso carinho e uma profunda admiração por Robert Shakespeare. Baixista, músico e produtor, ele sempre será um dos pilares do que conhecemos hoje como música Pop.  A forma como influenciou o mundo da música foi muito sutil e subjetiva, já que tocava um instrumento (o baixo) o qual muitos não sabem o nome, qual o som que emite e tão pouco seu lugar dentro de uma canção.

Ao trazer os holofotes para o que chamamos de cozinha (parte formada pela seção rítmica, em geral a bateria e o baixo) Robbie chamou para si a responsabilidade de levar adiante o desafio de promover a ascensão do gênero musical de sua terra natal, o Reggae, bem como a de seu instrumento para posteriormente aplicar o conceito em todos os campos, ritmos e artistas com quem trabalhou durante sua extensa e prolífica carreira musical.

Impossível falar dele sem citar seu companheiro Sly Dumbar baterista e também produtor musical. Juntos formaram o famoso duo Sly and Robbie. Dumbar dividiu o peso do desafio ao lado do amigo/sócio levando sua arte da cozinha jamaicana dos guetos caribenhos para o mundo.

Foram muitos os trabalhos de Robbie e com uma variação incrível de artistas, vários dos quais admito que nem conheço, fato que me garantirá um futuro feliz com infinitas horas de audição prazerosa debruçando–me sobre seus belos trabalhos. Darei a seguir alguns nomes com os quais ele trabalhou:

Peter Tosh, Bunny Wailer, Shabba Ranks, Ini Kamoze, Chaka Demus, Yellowman, U-Roy, Black Uhuru, Mick Jagger, Bob Dylan, Jackson Browne, Cyndi Lauper, Joe Cocker, Yoko Ono, Serge Gainsbourg, and Grace Jones, entre outros.

Como influência pessoal posso citar o fenomenal disco do Black Uhuru de 1979 GUESS WHO ‘S COMING TO DINNER, do qual tirei todo meu estilo, assim como o álbum lançado em 1983, Dub Factor do mesmo Black Uhuru. Em 1986/1987 lançaram um disco completamente eletrônico produzido por Bill Laswell onde ouvi pela primeira vez um jovem chamado Shinehead na faixa Boops o que mais uma vez me acertou em cheio. Com Serge Gainsbourg (um dos meus gurus) no icônico Aux Armes et Caetera arrasaram e confesso que estou preso a este registro até hoje.

Tive a honra de abrir um show da dupla Sly and Robbie aqui no Brasil na cidade de São Paulo na ocasião do Nublu Jazz Fest no ano de 2016 com uma das bandas das quais faço parte, Praia Futuro, no caso. Assisti em pé ao lado do palco extasiado e feliz da vida por presenciar tal evento e tenho as imagens, sensações e sons em minha memória. Apresentação magnífica onde ele foi à frente e cantou várias músicas com ar de felicidade estampado em seu rosto.  

Admiro Robert por seu estilo e suavidade. Suas linhas ricas tanto em melodias quanto em ritmos, simples, precisas, fortes me marcariam tanto que achei enfim um lugar dentro de seu vasto mundo para mim e o chamei de Soturno. Mas isto já é outra história.

Salve Mister Robbie onde quer que esteja! Serei sempre seu humilde discípulo.

Dengue, Soturno

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