Crise do Homem Branco de Meia-Idade

Há umas semanas encontrei um amigo que não via há algum tempo. E aproveitamos uma parte da manhã onde casualmente nos encontramos para pôr a conversa em dia.

Ele tem quase 50 anos, sem filhos, uma vida sossegada, sem grandes alaridos, e alguns hobbies. Desde que o conheço que é uma pessoa pessimista. Há sempre algo errado. Ou tudo. Mas sempre o consegui levar nas conversas fugindo dos stresses dele com o Mundo.

Mas desta vez fui apanhado no rol de queixumes e desgraças.

Começou por se queixar que as faixas exclusivas para bicicletas estavam a ocupar a cidade de Lisboa, que já não se conseguia andar de carro (acho que chegou a dizer algo como “isto agora é tudo eles”, referindo-se aos ciclistas). Inclusive deu o exemplo de uma via onde puseram uma faixa e agora demorava cerca de 15 minutos a percorrer e dantes apenas 5m.

A reboque das queixas do trânsito puxou a Greta Thunberg e as alterações climáticas para a confusão. Não percebia o alarido e porque raio ouvimos uma miúda que não percebe nada do assunto. E disse: “e mesmo que haja alterações, eu estou-me a borrifar, já não vou estar aqui para ver nada”.

Não me perguntem como, mas o tópico seguinte foi George Floyd e o racismo. Mais uma vez não percebia. Achava que se tinha morrido era porque tinha merecido. Porque tinha feito algo de mal. Porque é assim mesmo. A polícia estava correta. “Agora também tudo é racismo” chegou a dizer.

Não me lembro quanto tempo estivemos à conversa, mas pareceu uma eternidade. Mas antes de me despedir dele, rematou com a seguinte frase:

“Estou cansado destas polémicas todas da treta sem jeito nenhum. Não vejo ninguém a falar dos problemas que alguém como eu vive”.

Fiquei a pensar que problemas seriam.

Um pensamento sobre “Crise do Homem Branco de Meia-Idade

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