Nas últimas semanas, temos visto uma série de protestos a acontecer em museus onde ativistas “atacam” obras de arte com comida. E tenho reparado que há gente que fica indignada com os protestos em si, ou como é o caso do jornalista da CCN Portugal André Carvalho Ramos (aqui abaixo) não compreendem este ativismo.
Eu por outro lado não consigo compreender este tipo de comentário, sobretudo vindo de um jornalista.
E porquê?
Talvez seja a altura certa para contar a história.
A organização britânica Just Stop Oil foi criada em 2022 para pressionar o governo britânico a parar de emitir licenças de exploração de gás e óleo (como tem acontecido nos últimos meses). Basicamente a luta pelo planeta, numa luta contra as alterações climáticas. Eles tentaram chegar ao diálogo com os responsáveis políticos para abordar estas questão mas sem sucesso.
E por consequência, decidiram intensificar os protestos com bloqueio de estradas em Londres e com os protestos em diversos museus espalhados pela Europa. Talvez não tenham ouvido falar dos bloqueios das estradas. Diria que é muito provável. Porque praticamente nenhum meio de comunicação fora de Inglaterra o noticiou.
Mas toda a gente fez notícia das ações de protesto junto a obras de arte de Van Gogh ou Vermeer. Na realidade, as notícias eram apresentadas como vandalismo e ataques, e onde falavam dos valores das obras, dos autores dos quadros, dos museus, etc… Mas pouco ou nada falavam da causa e o motivo. E em muitos casos não eram claros a explicar que as obras estavam protegidas por vidros (algo que os próprios protestantes sabiam, pois o intuito nunca foi danificar nenhuma obra de arte).
A ideia de fazer algo deste género está na capacidade de quebrar o ciclo das notícias. Fazer barulho. Criar confusão. Agitar as águas. Como diz um ótimo artigo da RR, “é necessário que incomode as pessoas”.
E parece que incomodou muita gente. Mas será que assim dá para perceber a urgência da crise climática e que é necessário fazer algo para mudar?
Talvez muita gente não perceba. Espero que não seja tarde quando finalmente perceberem.
