Foto de René Ranisch na Unsplash

Tribos

No outro dia, durante uma conversa que tive com a Rute Correia sobre o “french touch”, ela relatava uma experiência diferente da minha enquanto crescia. A Rute, que é uns anos mais nova do que eu, dizia que já não havia as “tribos” no tempo dela.

Na minha época, havia imensas. Os góticos, os metaleiros, os freaks, os grunge, os betos, os chungas, os pastilhados, os marrões, os desportistas, etc… Nos anos 90, a realidade parecia fechada dentro de caixas. Dentro de parâmetros definidos por gostos estanques.

Lembro-me bem que fiz parte da malta do “grunge”, com o cabelo comprido (não há fotos disso, escusam de perguntar), camisas de flanela e aquela atitude rebelde. Era adolescente e os Nirvava, Soundgarden e Pearl Jam estavam a rebentar. E na escola era fácil perceber quem se identificava com o estilo.

Será mais difícil “identificar” alguém pela roupa que veste, ou pelos pins que usa na mochila, ou os autocolantes que tem na capa do caderno. Pelo menos nas gerações mais novas. Por exemplo, olho para os colegas dos meus filhos que estão no secundário, e não faço ideia se gostam de rap, heavy metal ou folk dos anos 60.

Hoje em dia as coisas parecem mais partidas. E escrevi parecem porque obviamente que há sempre gente que não saiu dessa caixa. Ou melhor dizendo, da sua tribo. A tal sensação de pertença. Eu faço parte destes. Vejo gente da minha idade (e até mais novos), que continuam a vestir igual, a ouvir a mesma música, a fazer parte de uma tribo. Talvez seja mais confortável para eles. Mais seguro.

Eu confesso que detesto ficar fechado numa caixa.

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