No outro dia em conversa com uns amigos, explicava que tinha saudades de bilionários que usavam o seu dinheiro para devolver algo para a sociedade, e alguns não perceberam o porquê da minha afirmação.
Na história encontramos alguns nomes, quer a nível nacional, quer internacional, que aproveitaram o seu vasto património para deixar obra.
Em Portugal, o exemplo mais conhecido será Calouste Gulbenkian, que tem um centro de arte e fundação com o seu nome. O empresário ottomano fez obra, e deixou tanto que hoje 80 depois da sua morte, continua o trabalho da fundação, dando bolsas de estudo, apoia criação artistica e ciêntifica, entregam bolsas e prémios, etc. Diria que é muito difícil não olhar para Gulbenkian e ficar encantado com aquilo que deixou. Mais recentemente, temos o caso de António Champalimaud que criou o centro de investigação com o mesmo nome para desenvolver tratamentos inovadores em medicina, e ao qual se juntou a família Botton para criar o centro de estudos para o Cancro Pancreático.
Fora daqui, temos alguns nomes muito conhecidos como a família Rockfeller que fundou várias universidades ou o meu favorito, o escocês Andrew Carnegie que criou livrarias, museus, universidades, institutos, e salas de espetáculos, entre outras obras. Carnegie é um dos maiores exemplos pois fez da filantropia uma bandeira, doando cerca de 90% da sua fortuna para a sociedade, e escreveu inclusive um ensaio sobre a distribuição da riqueza por parte dos muito ricos intitulado “The Gospel of Wealth” (disponível para download aqui).
Lembrei-me desta conversa porque hoje, Bill Gates anunciou que irá doar 99% da sua fortuna, um valor estimado em 200 mil milhões de dólares para ajudar a desenvolver o continente africano até 2045.
E fiquei a pensar porque, ao invés de fazer viagens “espaciais”, construir bunkers anti-guerra particulares ou mandar construir mega iates, os muito ricos não fazem mais obras filantrópicas no século XXI?
