Carlangas

A música de 2023

Não sou de fazer tops, ou listas, mas gosto de recapitular a música que mais ouvi durante o ano. Eu tenho o hábito de ouvir bastante música, é quase como um vício, para além do lado profissional, é um prazer enorme. Por isso, sem mais demoras, aqui fica a minha música de 2023:

  • “Carlangas” de Carlangas

O músico galego Carlangas (aka Carlos Pereiro) editou o disco que mais ouvi em 2023. Junta indie, pop, cumbia, rock, funk, lounge e tudo em formato canção. Um disco cheio de pérolas que se ouve de uma assentada, e onde voltamos uma e outra vez.

  • “Supermarket Joy” de Margarida Campelo

A Margarida é uma das vozes mais interessantes da música portuguesa atual. Vem do jazz, mas explora outros caminhos com mestria. Espero ouvir muito mais dela nos próximos anos.

  • “MotherFather” de Petite Noir

Este disco é um dos exemplos perfeitos da vitalidade que a música europeia pode ter. Nasceu na Bélgica, viveu na África do Sol, hoje trabalha entre Londres e Paris, e é de origem congolesa. É chillwave mas também rock, é acústico mas também electrónico. É bom.

  • “Good Lies” de Overmono

Para quem gosta de cenas britânicas ligadas às pistas, este disco é obrigatório. Tem algo de Chemical Brothers, mas também de 2step. Como o disco de Bicep no ano passado, este foi companhia de muitas noites (e manhãs).

  • “Cracker Island” de Gorillaz

O grupo de Damon Albarn volta e com um disco fuderoso. Só malhas. Tem Stevie Nicks, Thundercat, Beck, Bad Bunny e até MC Bin Laden.

  • “Black Classical Music” de Yussef Dayes

O Yussef é o músico que mais tenho acompanhado nos últimos anos. Baterista multifacetado ligado ao jazz, já gravou com uma série de gente, e editou o seu primeiro disco em nome próprio. Muita vontade de o ver ao vivo em 2024.

  • “Vida Antiga” de Tomás Wallenstein

Este ano tivemos o disco a solo do Tomás. Para quem não sabe, ele é o vocalista dos Capitão Fausto. E este disco ele faz apenas covers apenas ao piano. Do Brasil, França e Portugal. Antiga e moderna. Tem Cartola, Zeca Afonso, mas também Erik Satie ou Luís Severo.

  • “Música do Esquecimento” de Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo

Não conhecia a Sophia Chablau, nunca tinha ouvido. Mas um amigo falou-me nela. Fui ouvir. Fiquei viciado. É punk, tropical, funk, disco, indie e outras cenas. A música brasileira muito bem representada. Espero vê-los ao vivo em Portugal em 2024.

  • “Heavy Heavy” de Young Fathers

Esta rapaziada não sabe fazer maus discos. E ainda por cima consegui vê-los ao vivo, que ainda melhorou a coisa. Tem groove, faz dançar e pensar, não é um disco óbvio, cheio de referências e histórias.

  • “95 Mindjeres” de Nídia

A Nídia tornou-se uma das minhas produtoras favoritas, não só de Portugal mas do Mundo. A música dela vai buscar força às suas origens africanas e leva para caminhos globais. Vai além do kuduro ou do tarraxo, mas sem esquecer a fonte.

  • “Dans cent ans” de Flavien Berger

Este francês viaja entre a eletrónica e a pop. Simples, atmosférico, com a voz do Flavien a embrulhar tudo com douçura.

  • “3” de Jasiah

Há discos que eu mesmo não sei como oiço tanto. Este disco do rapper Jasiah foi uma surpresa. Descobri por acaso e fiquei apanhado nesta mistura de pop-punk-rap-screamo.

  • “The Last Rotation on Earth” de B.C. Camplight

Descobri este americano radicado em Manchester a ouvir rádio. Fiquei intrigado pela música, pelas letras, pelo som. Canções de desespero e melancolia.

  • “soñao” de Dinamarca

Um sueco com raízes chilenas muda-se para Madrid e faz um disco que junta dembow, baile funk, dreamcore e trance. É bizarro e suave ao mesmo tempo.

  • “Giant Stops” de Minus & MrDolly

A música portuguesa está muito bem e recomenda-se. E esta dupla cada vez lança discos melhores. Hip hop com muito jazz. Este álbum foi feito a partir de uma banda a tocar ao vivo e as vozes convidadas como Luca Argel e Meta. Fácil, fácil.

  • “Dybbuk Tse!” de Yoni Mayraz

Este jovem pianista israelita radicado em Londres fez um disco de jazz que dá gosto ouvir todos os dias, a todos os momentos. Moderno, ritmado, pronto para ser escutado e dançado. É groove puro a apontar às estrelas.

  • “Selva” de Quadra

Não conheci estes rapazes de Braga até à edição deste disco. Faz-me lembrar The Rapture, Hot Chip, LCD Soundsystem e cenas do género. Mas com um sabor tropical. Não sei onde em Braga foram buscar esse sabor, mas tá bom.

  • “Gold” de Cleo Sol

A voz da Cleo arrepia. Conheci-a com SAULT e depois fui procurar tudo o que ela tinha feito. E este disco é uma delicía, cheio de alma, ritmos e blues. É mel.

  • “Shook” de Algiers

Este grupo de post-punk-experimental resolveu fazer um disco onde convidou Zach De La Rocha, billy woods ou Samuel T Hering, entre outros. Alguém disse que parece o “Fear The Black Planet” de Public Enemy. Clássico!

  • “Afro Fado” de Slow J

Chegou já quase no final do ano, mas um disco do Slow J entra direto para o coração.

Deixe um comentário