No centro da avenida
Às quatro em ponto
Uma mulher dançava nua perdida
A gente que via a cena
Filmava, ria
Sentia pena
Partilhava e comentava
Mas nada mais fazia
Até chegar um barbudo
Que foi a correr tapá-la
Ao invés de fotografá-la
E a multidão reagiu
Apupou, assobiou, e gritou
Mas mulher em democracia não é biombo de sala
Se Teresa Torga estivesse hoje na avenida

(este poema é adaptado da canção de Zeca Afonso “Teresa Torga”)
