Nos últimos tempos, sinto que o dinheiro tem sido demasiadas vezes o foco das conversas e pensamentos. Seja porque temos um partido político que espalha mensagens, seja porque temos youtubers a medir sucesso pelo que facturam.
Talvez tenha sido da educação que tive, e dos exemplos que me rodearam, mas a verdade é que percebo perfeitamente o poder do dinheiro. Não sou hipócrita a pensar que o dinheiro não traz felicidade. Mas ajuda. E muito.
Mas também é verdade que existe um limite até onde o dinheiro te traz felicidade. Lembro-me de ver um estudo feito sobre o dinheiro que custava um curso universitário nas escolas de topo mundial, e a implicação de “quanto mais cara a escola, melhor a educação” revelava-se falsa. A velha ideia de “se é caro, é bom” também pode ser enterrada.
E aquilo que muitas vezes se vê (e ouve) é que as decisões estão baseadas apenas em factores financeiros. Nada contra, mas tudo depende de que decisões falamos. Se tivermos a falar da escolha da escola pública para a empresa que elabora os almoços das crianças, eu diria que escolher o mais barato é um erro tremendo, pois as crianças necessitam de um cuidado extra no que se refere às refeições, pois é um período de extrema importância para a aprendizagem e crescimento. Mas se for uma empresa privada, que se resolveu escolher o fornecedor mais barato para a cantina da sua sede, não traz nenhum mal ao mundo.
Quando se fala em políticas públicas, nem sempre o mais barato é a escolha certa.
Dito isto, sinto que esta quase obsessão pelo dinheiro, com o capitalismo à cabeça, é um inimigo da filosofia. Haverá espaço para a filosofia quando só pensamos em accionistas, acções, valores, investimentos, relatórios e objectivos?
